Resenha do livro A Improvável Jornada de Harold Fry

24 de junho de 2017 0 comentários

A Improvável Jornada de Harold Fry foi um livro que me surpreendeu de uma forma muito positiva. Um livro que, pela sinopse, eu não me interessaria em ler. No entanto, a linguagem da autora, a sensibilidade com que ela descreveu a vida de Harold, a ingenuidade do personagem foram fatos que tornaram a leitura comovente e prazerosa. Impossível não se apaixonar por esse bom velhinho. 

Harold é um senhor aposentado que passa o dia em casa sentado em uma cadeira ou cuidando do jardim. Sua esposa, Maureen, parece uma pessoa fria e descontente com o marido. Eles mal conversam, não dormem mais no mesmo quarto e a vida parece um fardo para os dois.

Certo dia, Harold recebe uma carta de uma antiga colega de trabalho que não via há vinte anos. Na carta, ela dizia estar morrendo de câncer. Harold fica muito triste com a situação e resolve escrever uma carta para Queenie, sua amiga, e ir colocá-la no correio. No caminho, ele percebe que as palavras que escreveu na carta não demonstram o sentimento que ele gostaria de expressar à amiga. Então ele decide caminhar até a cidade onde ela está e pede que ela fique viva à sua espera. O problema é que terá que caminhar 800km.

Essa decisão de Harold parece algo sem muito sentido. Mas é aí onde está toda a beleza do livro. Ao caminhar, ele lembra de coisas há muito tempo esquecidas. Ele lembra do filho, das tristes lembranças, pois a história de Harold com o filho é muito triste, mas é bela. Ele lembra de quando a esposa era feliz e apaixonada. E mais, ele encontra pessoas em seu caminho, cada uma com uma história, cada uma com seus problemas, suas lutas. Harold se apega a algumas pessoas, mas, como está em uma peregrinação, ele as deixa para trás levando apenas boas lembranças.

Para Maureen, a ausência de Harold fez com que ela refletisse sobre seu casamento e suas atitudes. Ela passou a apoiar o marido. O ato de Harold finalmente levantar da cadeira e fazer alguma coisa fez com que Maureen percebesse que ela também precisava tomar algumas atitudes. 

Em alguns momentos, Harold vacila, desanima, não vê sentido em mais nada, perde a fé; em outros, ele se enche de esperança e forças para continuar. Assim é a vida. A autora fez uma simbologia de forma muito delicada entre a caminhada de Harold e a caminhada de todos nós em nossas vidas.

A leitura causa reflexão. É comovente. É linda. Superindico esse livro!

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